Palavra do Presidente

Discurso do Presidente da ACESE, Lauro Vasconcelos, durante a cerimônia de posse da nova diretoria para o biênio 2007/2009.

É com inusitada honra que assumimos, hoje, a presidência da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe, para a qual fomos eleitos para um mandato de dois anos. Já ocupamos tão honroso cargo há dois meses, em razão do afastamento do empresário Jorge Santana, que assumiu a Secretaria de Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia, a convite do Exmo.sr. Governador do Estado, Dr. Marcelo Deda.

 

Venho de uma longa convivência com esta casa, iniciada praticamente quando eu era ainda um garoto de nove anos de idade. Foi de fato, em 1965, que ouvi falar pela primeira em Associação Comercial de Sergipe, quando meu pai, José Alcides Vasconcelos, assumiu a vice-presidência da Casa, acompanhando o presidente Major Barreto. Ele, meu pai, teve uma participação ativa naquela administração, ainda mais que, durante toda a sua vida de empresário, esteve sempre ligado, direta ou indiretamente a Associação. Ao iniciar a minha atividade empresarial, junto ao meu pai, comecei também a participar de todos os movimentos da Associação Comercial, de início, claro, meio timidamente.

 

Em 1992, a Associação Comercial passava por provações, quando assumiu a presidência da Casa Manoel Prado Vasconcelos Filho, conhecido como Pradinho, meu tio, que me convidou a fazer parte da diretoria. Começamos, neste ponto, a ter uma participação mais ativa na entidade, que perdura até hoje. Com Pradinho, a Associação Comercial começou a viver uma nova fase. Foi um trabalho árduo para reposicionar e firmar o nome da entidade perante toda a classe empresarial e os órgãos governamentais. As instalações físicas da entidade estavam deterioradas e mereceram atenção especial, apesar da situação financeira não ser das melhores. Com muito trabalho, e a colaboração de todos os companheiros de diretoria e de diversas empresas do nosso Estado, conseguimos superar aquela fase. A partir desta gestão assumiu-se o compromisso de manter a entidade afastada da política partidária, como também fazer uma renovação constante no seu quadro.

 

Não que pretendêssemos ficar distante dos órgãos governamentais, muito pelo contrário, deveríamos manter um relacionamento estreito com todas as esferas públicas, seja ele o Governo Estadual, Municipal e suas respectivas secretarias, tudo em defesa dos interesses da classe. A receita, sem dúvida, deu certo. Já se vão nove anos do mandato de Pradinho, e a ACESE já teve quatro presidentes: José Moura Filho (1997/99), Anselmo Oliveira (1999/2001), Fernando Carvalho (2001/05) e, por último, Jorge Santana (2005/06), e todos eles mantiveram a política de fortalecer a entidade. Tive a oportunidade de participar, direta ou indiretamente, de todas estas administrações, sendo vice-presidente desta casa nos mandatos de Fernando Carvalho e Jorge Santana.

 

Por mais de uma vez estive na condição de ser o próximo presidente, mas razões particulares fizeram-nos adiar a decisão. Tudo tem a hora certa para acontecer, por isso estamos aqui hoje sendo empossado, junto com a diretoria, para ampliar os nossos serviços à classe. Ser Presidente desta Casa enaltece e orgulha qualquer um que ocupe o cargo, que é, em resumo, uma doação, uma dedicação e um amor à entidade. Sendo a ACESE uma entidade sem muitos recursos financeiros, que vive exclusivamente das mensalidades dos seus associados e das parcerias que mantemos com outras instituições, como o Sebrae e a Caixa Econômica Federal, além dos patrocínios que temos com alguns dos nossos associados, como a Petrobrás, Banco do Brasil, Banese Card, Correios de Sergipe, Tim, Del Mar Hotel, Oi Telemar e Jornal da Cidade.

 

Temos uma missão definida na ACESE, que é: “representar os associados de todos os segmentos empresariais e profissionais, estimular o associativismo, prestar serviços de qualidade e contribuir para o desenvolvimento local” Mas, para cumprirmos esta missão, e tornar a entidade ainda mais forte, precisamos da colaboração de todos, aumentando o nosso número de associados, nos unindo e tendo uma participação mais ativa.

 

Na ACESE já desenvolvemos vários programas, como o Projeto Empreender e a Camae (Câmara de Mediação e Arbitragem Empresarial) em parceria com o Sebrae, como também o Correspondente Bancário Negocial com a Caixa Econômica Federal. Com esta parceria, temos atendimento diferenciado aos nossos associados pela CEF, dentro da nossa sede. Para ainda melhor servirmos aos nossos associados, estão em andamento negociações de novas parcerias, na área de saúde privada e de consulta de crédito.

 

Entendemos que o nosso papel é manter estreitos laços de relacionamentos com as autoridades constituídas, em todas as esferas de poder. Desejamos, principalmente, ser ouvidos quanto às decisões a serem tomadas sobre assuntos que nos afetam diretamente, principalmente no tocante ao desenvolvimento do Estado, pois somos os geradores e arrecadadores dos impostos que sustentam a máquina pública. Por conseguinte, temos o direito de participar, juntamente com outros setores da sociedade, sobre os destinos do dinheiro público, que, de fato, é de todos nós.

 

Continuaremos na luta pela redução da altíssima carga tributária que é imposta ao povo brasileiro e também pela desburocratização do serviço público, que ainda hoje é um fator de impedimento do crescimento e desenvolvimento do país. Tributos estes que estão embutidos nos preços de todos os produtos e serviços que são colocados no mercado, e que quem os paga, na realidade, somos todos nós quando consumidores. Quando, na qualidade de empresários, reclamamos dos altos tributos, é porque entendemos que eles terminam por beneficiar os inescrupulosos, que não repassam aos cofres públicos os impostos devidos, pois acham que vale a pena correr o risco da sonegação devido ao alto valor dos impostos cobrados, ou pelos que optam ficar na informalidade, devido à burocracia que cria todo tipo de dificuldade para se formalizar uma empresa, como também em razão dos já citados altos impostos cobrados, e que, nestes casos, vemos total incapacidade do poder público de pegá-los e puni-los. Ou pior ainda, devido à tão falada globalização, que gera uma concentração de grandes grupos empresariais, que pelo seu poder de negociação junto aos fornecedores e governos, conseguem alíquotas diferenciadas de impostos e preços diferenciados para os produtos que vendem, tornando-se todos estes, verdadeiros PREDADORES das pequenas e médias empresas formalmente estabelecidas, levando-as à impossibilidade de crescimento ou simplesmente a fecharem suas portas, as quais são os grandes empregadores de mão de obra deste país.

 

Além do mais, minhas senhoras e meus senhores, não concordamos quando os representantes do fisco sejam eles do Governo Federal, Estadual ou Municipal, afirmam que arrecadaram “xis” milhões de reais, pois estão totalmente equivocados quando fazem tal afirmação, esquecendo-se eles de que, nós empresários, somos os verdadeiros arrecadadores de impostos deste país, pois somos nós que cobramos dos consumidores os impostos e contribuições que estão embutidas nos preços dos produtos e serviços que vendemos , cabendo-nos o a tarefa nada fácil de repassá-los aos cofres públicos. Ao fisco cabe apenas a simples tarefa de nos fiscalizar e verificar se os repassamos corretamente, e que, a uma simples falha nossa, somos logo taxados de sonegadores e penalizados com pesadas multas. Cabendo ao fiscal, além do salário que já recebe para desempenhar tal função, ser premiado com uma bela participação financeira na multa aplicada. Não podemos admitir que uma empresa que declara e registra em seus livros fiscais um determinado valor de imposto a repassar ao erário público, e não o faz no prazo devido, possa ser taxado de sonegador. Ele apenas tornou-se momentaneamente inadimplente, talvez mesmo, por causa de novas regras normalmente oportunistas que o próprio governo edita sem consultar ninguém.

 

É por estes fatos que observamos, com tristeza e preocupação, que os jovens em idade de iniciar a vida produtiva, estão totalmente desencorajados na tarefa de empreendedores, ou porque já viram exemplos nada estimuladores em suas próprias casas, ou simplesmente porque vêem, lêem ou sabem por terceiros, o quanto é difícil e penoso sobreviver em um pequeno negócio em nosso país, e assim sonham em fazer um concurso público, tido como “mais seguro” e até melhor remunerado.

 

É por isso que reputo de suma importância o fato de também estar tomando posse hoje, juntamente conosco, para um novo mandato, a diretoria do Conselho de Jovens Empreendedores (CJE), pessoas que ainda acreditam no empreendedorismo, apesar de todas estas dificuldades, mas que lutam juntamente conosco pelas mudanças necessárias e urgentes que se fazem na arcaica legislação trabalhista como também na pesada e burocrática carga tributária brasileira. Não queremos viver de favores, e sim sermos ouvidos pelos Srs. governantes e principalmente, pelos Senadores, Deputados Federais e Estaduais, que foram eleitos para nos representarem e defenderem os interesses do povo brasileiro. Esperamos que eles deixem à retórica e o interesse próprio ou do partido do qual fazem parte, e implementem as reformas que o país urgentemente precisa, pois, do contrário, só teremos daqui há algum tempo, pessoas trabalhando para o governo, e a nossa preocupação, é saber de onde vai vir o dinheiro para pagar esta conta.

 

É com estes ideais que a diretoria que hoje se empossa, norteará o trabalho para que todos juntos, possamos construir um país mais justo e de melhores oportunidades para nossos filhos e netos.

 

É oportuno, nesta hora, destacar o trabalho que o nosso companheiro Jorge Santana fez durante o período em que esteve na presidência desta entidade. Sempre pensando e trabalhando como empresário, lutando em defesa dos interesses da classe, e que foi com um misto de satisfação e orgulho que vimos Jorge Santana ser escolhido pelo Exmo.sr. Governador para ocupar a Secretaria de Indústria e Comércio, Ciências e Tecnológica. Sabemos que em algum momento, certamente, poderemos divergir dele em algum assunto de interesse da classe, pois sabemos que ele hoje trabalha para o governo e a este deve fidelidade, porém temos certeza que as divergências serão tratadas dentro dos critérios racionais e ditas de maneira clara as razões e os porquês das nossas divergências, porém, temos certeza que o bom senso prevalecerá. O cargo que ora ocupa é um novo desafio na sua vitoriosa carreira profissional e certamente ele irá contribuir, e muito, para o desenvolvimento do nosso Estado. Que ele continue acalentando os ideais em prol da classe empresarial do nosso Estado.

 

Por último, minhas senhoras e meus senhores, gostaria de agradecer aos verdadeiros amigos, que me incentivaram e apoiaram, a assumir as tarefas e os desafios do cargo que ora abraçamos, prometendo que faremos tudo o que for possível para não decepcioná-los. Com fé em Deus e na força do Espírito Santo iremos realizar tudo aquilo a que aqui nos propomos.

 

Muito obrigado a todos.



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