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Brasil atrai US$ 55 bi e é 2º emergente em fluxo

O Brasil é o segundo emergente que mais tem recebido fluxo de capitais este ano, o que manteve a pressão sobre o real. Ao mesmo tempo, o país explicou ontem como está impondo controle de capital e pediu reforma do sistema monetário internacional, num debate nas Nações Unidas em Genebra.O país recebeu até agora US$ 54,759 bilhões, sendo US$ 25,3 bilhões por meio de bônus e US$ 29,3 bilhões investidos por estrangeiros em ações, de acordo com o Royal Bank of Canadá (RBC), num levantamento que não inclui a China.Somente a Coreia do Sul recebeu mais fluxo de capital, de US$ 58,3 bilhões até agora. Os coreanos vem sendo acusados pelo Japão de manipular sua moeda. O próprio Japão pode intervir de novo para baixar o valor do iene.O fluxo de capital que entrou no Brasil é quase o dobro do que tomou o rumo da Índia, que recebeu US$ 29,7 bilhões O México recebeu US$ 35,8 bilhões.O RBC projeta mais saída líquida nos próximos dias, em meio a temores nos EUA e na zona do euro. Mas a alocação para títulos de dívida dos emergentes continua atraindo investidores. A participação estrangeira nos bônus mexicanos atinge o recorde próximo de 40%. Brasil, Turquia, Indonésia e Coreia estão no mesmo ritmo.Com os rendimentos de títulos nos mercados desenvolvidos caindo a níveis históricos de menos de 2%, e preocupações com dívida e ajuste fiscal, os mercados de títulos públicos dos emergentes e situação fiscal estável tornam-se "irresistíveis".Em Genebra, um debate para representantes de países organizado pela Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) examinou a gestão de fluxos de capitais e seus problemas para emergentes.Carlos Márcio Cozendey, secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, descreveu o que tem feito na gestão de fluxos de capitais no país, destacando que esse é um tópico de problema maior que é a gestão do próprio sistema monetário internacional.Para o representante brasileiro, o exemplo da Suiça, intervindo para fixar limite na valorização de sua moeda em relação ao euro, mostra como os investidores buscam uma moeda de refúgio e a necessidade de os países reformarem o sistema monetário global.Em Basileia, na reunião dos principais bancos centrais do mundo, o presidente do BC suíço, Philipp Hildebrand, explicou, por sua vez, a quebra do regime de câmbio flutuante para proteger o franco suíço. Segundo Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), os banqueiros entenderam a situação helvética.Outro banqueiro notou, em conversa com o Valor, que os suíços agiram em diversas etapas, de modo que a intervenção recente foi mesmo um ato empurrado por extrema necessidade. Ninguém falou de guerra cambial no encontro dos BCs, segundo um participante. (AM)Fonte: Valor EconômicoDe Brasilia

Publicado em 13/09/2011



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