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Opinião - Não existe nós contra eles quando o assunto é o futuro de todos

Ultimamente, temos acompanhado a polarização de um debate arriscado. De um lado, a necessidade de combater o novo coronavírus, e isso é um consenso, apesar das divergências sobre as formas de combate, dentro de diferentes realidades e contextos. Do outro, a perspectiva de que a economia e os empregos sobrevivam, para que a retomada no pós-crise não afete nosso cotidiano.

Empreendedores de diversos setores têm sido duramente criticados e, mais ainda, vêm sendo penalizados. E quando afirmo isso, não exponho aqui apenas o risco em ser contaminado pelo vírus, perder um ente querido ou até mesmo nossa vida, mas a preocupação com o resultado do presente e do futuro. Por nós e por aqueles que conosco trabalham.

Nenhum de nós quer que a crise que se instalará após a pandemia deixe ainda mais dúvidas sobre negócios que resistirão ou não. Também não temos o menor interesse de ampliar os riscos cada vez maiores de desemprego, e temos lutado incansavelmente para estabelecer um diálogo onde seja minimizado este futuro sombrio que se avizinha.

Mas vivemos um momento que gera apenas incerteza, insegurança ou medo mesmo. Em todo o país, empreendedores vivem uma série de problemas, gerados não apenas pela pandemia, mas por uma gama de outros fatores, que vão desde o processo de recuperação econômica no pós-crise de 2013 ao excesso de burocracias para a conquista do crédito.

Quando o assunto é nosso futuro, não existe essa de nós contra eles. Por muito fomos tachados por defender que a economia sobreviva. Mas falta compreensão para entender que a economia sustenta o bem-estar social. São os negócios e os respectivos empreendedores que garantem que o pão continue a chegar na mesa de cada trabalhador.

Tachados de insensíveis, dói em cada um de nós, pois seres humanos não são descartáveis, são parte de nosso convívio, de nosso dia-a-dia. Estou dizendo isso como empreendedor vindo de família humilde, que mesmo empregando cerca de 800 famílias e mesmo tendo uma série de cortes em meus contratos e convivendo com a inadimplência em diversos contratos, decidi que enfrentarei o momento.

Ao mesmo tempo, tenho acompanhado diversas situações, diversas dificuldades e sinto muito por ver que apontam o dedo para aquele que tenta manter empregos de alguma forma. O comércio de rua e muitos outros tipos de serviço em Sergipe estão beirando o caos.

Empreendedores já dão sinais de desespero. Mesmo diante deste cenário, o fechamento do comércio não se mostrou eficaz para conter pandemia no Estado. Vemos, dia após dia, aumentar o número de casos suspeitos e confirmados. E uma população cada vez mais sem perspectiva, com medo do vírus e do futuro.

Comungo com o posicionamento da União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços – UNECS -, presidida por George Pinheiro. O Brasil, em todas as esferas, precisa assumir os riscos dessa guerra. E isso está além do repasses a Estados e municípios.

É preciso seguir o exemplo de outros países. Assumir erros, se necessário, a exemplo do prefeito de Nova Iorque, que imaginava que iria encontrar a maior parte de seus casos de Covid-19 em empregos essenciais. Mas estava enganado: a maioria dos casos hospitalizados era de pessoas desempregadas, ou aposentadas que estavam casa ou em asilos.

Precisamos também superar a burocracia. Entender que o colapso da economia é certo e compreender que a crise que vem chegando não pode tirar de nós o direito de empreender. Insisto: nesta guerra, não há nós contra eles. Há o equívoco em se tratar as batalhas da saúde e do emprego de nossa gente como causas distintas.

É urgente que as pautas caminhem juntas, com diálogo e planejamento eficaz e coletivo, envolvendo o setor produtivo, Tribunais de Justiça, Ministério Público, Governo do Estado, Prefeituras, Assembleia Legislativa e Câmaras de Vereadores. Só assim venceremos.
 

[*] É empresário, CEO do Grupo Pinheiro de Segurança, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe, da Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Sergipe e do Conselho Deliberativo do Sebrae em Sergipe.

Publicado em 12/05/2020



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